A Bondade de Claudia
13 de janeiro de 2010Por: Renato Abreu
Ter a ajuda de pessoas desconhecidas é sempre bom, nos ajuda acreditar um pouco mais na humanidade. E assim também pensava Claudia Maria que tentava ajudar todas as pessoas a sua volta. Nunca deixou de dar uma esmola a um pedinte, nem de ajudar uma pessoa idosa a atravessar a rua ou um animal ferido, qualquer um que fosse.
Certo dia alguém bate fervorosamente a porta de Claudia, que corre para ver quem é. Era um homem ferido, com a mão na barriga, se esvaindo em sangue e com uma arma na mão. Com a voz tremula ele falou – “Dona, eu sou um assassino, essa é a minha natureza, já matei muita gente e não me arrependo, mas estou com medo de morrer e não posso ir a um hospital… Se a senhora não me ajudar vou morrer na porta da sua casa”. – e desmaiou. Claudia, como não poderia fazer diferente levou o homem para dentro da sua casa e o acomodou no quarto de hospedes. Ela o deitou na cama, tirou-lhe a roupa suja de sangue, estancou o sangramento e lavou o ferimento que era profundo, mas não era fatal.
Durante sete semanas Claudia cuidou daquele homem ferido e viu lentamente ele recuperar as suas forças e com alegria, a cada nova melhora, ela lhe ministrava remédios para dor e para conter alguma infecção ela limpava três vezes por dia o ferimento e lhe ministrava antibióticos. Durante esse tempo começaram a dialogar e ela descobriu porque ele se tornara um assassino e como a vida tinha sido difícil para aquele ser humano que, desde criança, teve que lutar com o que dispunha, a violência, para garantir a sua sobrevivência.
Passado sete semanas aquele homem já se sentia melhor, podia andar e também ajudava em algumas tarefas da casa, como também satisfazia outras necessidades de Claudia. Era um homem de cama, mesa e cozinha, como se diz por ai. Até que um dia aquele homem começou a perguntar por sua arma. Claudia havia escondido a arma por medo, mas ele insistia muito e dizia que queria se livrar da arma para começar uma vida nova com ela. Claudia não resistiu à tentação, de imaginar a vida boa que poderia ter com aquele homem, que ela já imaginava amar, e lhe entregou a arma.
O homem pegou a arma em suas mãos, olhou Claudia nos olhos, lhe pediu desculpas, colocou uma almofada na frente da arma, e lhe deu um tiro no peito perto do coração. Claudia, olhando fixo nos olhos dele, lentamente cai em direção ao chão. No chão, com a mão no peito a sangrar só consegue pensar em uma única pergunta e, com a voz tremula e ofegante, a faz – “Por quê? Por quê?” O homem guarda a arma no bolso de trás da calça, joga a almofada do lado e enquanto revira a bolsa de Claudia atrás de dinheiro responde – “Você sabia quem eu era quando te pedi ajuda. Infelizmente eu não posso mudar a minha natureza. Você hoje sabe muito de mim e pode me identificar para a polícia, então, não posso correr esse risco, mas … se servir para alguma coisa… realmente estava gostando você…” – guardou o dinheiro no bolso da frente da calça, olhou mais uma vez para Claudia, abriu a porta, verificou se tinha alguém observando e desapareceu.
Claudia, com lágrimas nos olhos, viu tudo escurecer, sua respiração ficou mais e mais ofegante e depois parou. E então, ela deixou esse mundo de crueldade.